A glândula tireoide e o controle das emoções

A glândula tireoide, localizada na parte anterior do pescoço, faz parte da regulação de importantes funções do nosso organismo e produz os hormônios T3 (triiodotironina) e o T4 (tiroxina). Ela atua no metabolismo celular, auxilia no controle do crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes, no peso, na memória, na regulação dos ciclos menstruais, na fertilidade, na concentração, no humor e no controle emocional.

Quando ocorre o hipotireoidismo, ou seja, a tireoide produz hormônios insuficientes para regular as funções do organismo, pode ocorrer desânimo, fraqueza, depressão, sonolência associada à fadiga, lentificação da voz (que fica rouca) e dos movimentos. Além disso, pelo metabolismo corporal estar diminuído, acontece intolerância ao frio, ganho de peso apesar do apetite estar normal, pele e cabelos secos, o coração passa a bater mais devagar e, no caso das crianças e adolescentes, o crescimento pode ficar prejudicado. Ainda, está associado a dores musculares e articulares, aumento dos níveis de colesterol no sangue, ciclos menstruais irregulares e infertilidade.

A maioria dos pacientes com hipotireoidismo apresenta um quadro depressivo, mas o tratamento com antidepressivos não é eficaz enquanto o hipotireoidismo não for corrigido. Alguns autores acreditam que o hipotireoidismo estaria presente em 8 a 17 % das pessoas deprimidas. Assim, nos casos de má resposta da depressão ao tratamento antidepressivo, é necessário realizar um exame do funcionamento da tireoide.

No caso do hipertireoidismo, que é a produção de hormônios tireoidianos em excesso, ocorre o aumento do metabolismo e, normalmente, acontece insônia associada a cansaço extremo, perda de peso, a pessoa pode apresentar agitação psicomotora, incapacidade de concentração, nervosismo, dificuldade em controlar emoções e agressividade, suor excessivo, intolerância ao calor, alteração do ciclo menstrual e aumento da atividade intestinal.

Nesse caso há também um quadro depressivo, entretanto, aqui a depressão costuma ser do tipo agitado, com alto grau de ansiedade. Alguns transtornos psicóticos, sobretudo confusão mental e delírios, podem se manifestar em casos de fortes crises agudas ou de fases muito avançadas de hipertireoidismo. Nos idosos, a apatia é frequente, havendo instabilidade do humor, ansiedade e, menos frequentemente, um quadro de melancolia.

Essas disfunções na tireoide podem ocorrer em qualquer sexo ou idade, sendo mais frequente entre as mulheres: cerca de 10% naquelas acima de 40 anos e em torno de 20% das que têm acima de 60 anos. É preciso estar atento, pois, às vezes, essas alterações podem simular doenças psiquiátricas como agitação intensa ou depressão. Por isso, é importante fazer o diagnóstico correto e a diferenciação entre as patologias para, então, iniciar o tratamento correto o mais breve possível.

Texto desenvolvido como atividade da Liga Acadêmica de Endocrinologia e Diabetes (LAED-UFSM)

Fontes:

1- Ballone GJ, Tireoide e Emoções, in. PsiqWeb, Internet, disponível em psiqweb.med.br, revisto em 2007.

2- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, disponível em endocrino.org.br/tireoide.

Dra. Paula Thais Birk

Médica

CREMERS 42.603

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

CREMERS 30.576 – RQE 22.991

www.facebook.com/drmateusendocrino

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