Nódulos de adrenal descobertos ao acaso – os incidentalomas

Acima de cada um dos nossos rins, localizam-se as glândulas adrenais. São estruturas responsáveis pela produção de hormônios esteroides e catecolaminas. O cortisol, também conhecido com “hormônio do estresse”, é um dos principais esteroides produzidos pelas adrenais, assim como a aldosterona, hormônio que participa da regulação da pressão arterial. Na camada mais interna das adrenais é produzida ainda a adrenalina, substância conhecida por preparar nosso organismo para estados de “luta e fuga”.

Com o desenvolvimento de exames de imagem cada vez mais sofisticados, algumas vezes um exame pedido por um motivo pode mostrar outros problemas. No casos das adrenais, 4,4 porcento das tomografias de abdome solicitadas por motivos diversos mostra algum nódulo. Chamamos estes nódulos descobertos ao acaso de incidentalomas de adrenal.

Tomografia computadorizada mostrando incidentaloma na adrenal esquerda
Tomografia computadorizada mostrando incidentaloma na adrenal esquerda

Na avaliação do incidentaloma de adrenal, o médico endocrinologista deve se preocupar em responder 2 perguntas: 1- O nódulo é maligno? 2- O nódulo produz algum hormônio? As respostas para estas questões vêm através dos exames de imagem e das dosagens hormonais.

O principal exame de imagem na avaliação do incidentaloma de adrenal é a tomografia focada nas adrenais. Através deste exame, consegue-se avaliar detalhadamente a anatomia da glândula. Nódulos maiores que 4 centímetros são suspeitos de malignidade, assim como lesões invasivas, heterogêneas, com margens pouco definidas, calcificadas e com sinais de vascularização intensa. Lesões menores de 4 centímetros, com margens bem definidas, homogêneas, pouco vascularizadas e hipodensas, isto é, com alto teor de gordura, costumam ser benignas.

A avaliação dos incidentalomas de adrenal continua com as dosagens hormonais. Apesar de 9 em cada 10 nódulos de adrenal não secretar hormônios em excesso, todo incidentaloma deve ser investigado para produção de cortisol e de metanefrinas, pois existem casos de síndrome de Cushing (6,4% dos casos) e de feocromocitoma (3,1% dos casos) subclínicos, isto é, com pouco ou nenhum sintoma. Além disso, pacientes com pressão alta ou com baixos níveis de potássio devem fazer avaliação para a produção excessiva de aldosterona.

Quanto ao manejo, incidentalomas de adrenal maiores de 4 centímetros devem ser retirados através de cirurgia devido ao risco de câncer de cerca de 25%. Além destes, os feocromocitomas, ou tumores produtores de adrenalina e seus derivados, também devem ser retirados, pois aumentam o risco de arritmias e crises hipertensivas. Já os tumores produtores de cortisol e de aldosterona também podem ser manejados cirurgicamente dependendo da gravidade do caso e do estado geral do paciente. Os incidentalomas ditos não funcionantes, isto é, que não produzem hormônios, devem ser acompanhados através de exames de imagem e de laboratório em intervalos de 6 a 12 meses por pelo menos 4 anos, não havendo necessidade de tratamento imediato.

Fonte: UpToDate OnLine

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Mestre em Endocrinologia
CREMERS 30.576
www.facebook.com/drmateusendocrino

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