Novos antidiabéticos suspeitos de causar cetoacidose

Em meados de maio de 2015, o FDA, agência regulatória de medicamentos dos Estados Unidos, emitiu um alerta de que os medicamentos para tratar diabetes pertencentes a classe conhecida como inibidores do SGLT2, ou glifozinas, podem ser causa de cetoacidose diabética, uma complicação grave com necessidade de hospitalização. O alerta incluiu os inibidores de SGLT2 canaglifozina (Invokana), dapaglifozina (Forxiga) e empaglifozina (Jardiance), os dois últimos já disponíveis no mercado brasileiro.

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Segundo o FDA, em um período de pouco mais de um ano, foram relatados 20 casos de cetoacidose diabética em pacientes com diabetes do tipo 2. Este tipo de complicação é pouco frequente no diabetes mellitus tipo 2. Além disso, os casos reportados tiveram apresentação atípica, com medidas de glicemia abaixo de 200 mg/dL. Nos pacientes com diabetes tipo 1, a cetoacidose costuma acontecer em níveis de glicemia acima de 250 mg/dL.

Entre os possíveis sintomas de cetoacidose diabética estão falta de ar, náusea, vômito, dor abdominal, confusão mental e fadiga e sonolência excessivas. Os profissionais da saúde, sejam endocrinologistas ou não, devem estar atentos para esta sintomatologia e suspender o uso do medicamento suspeito se a cetoacidose for confirmada. Conforme o FDA, os casos de cetoacidose possivelmente causados por glifozinas surgiram entre 1 e 175 dias após o início do uso da medicação, e, em metade dos casos, não houve fator precipitante como infecções ou desidratação.

Em resumo, médicos e pacientes devem estar atentos para cetoacidose diabética como possível complicação do tratamento com inibidores do SGLT2, para evitar desfechos mais graves. Também é recomendado que casos suspeitos sejam devidamente notificados às autoridades competentes (no Brasil, a ANVISA).

Fonte: Medscape

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

Mestre em Endocrinologia

CREMERS 30.576

www.facebook.com/drmateusendocrino

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