Complicações associadas ao excesso de peso: apneia obstrutiva do sono

O excesso de peso e a obesidade estão diretamente associados a diversos problemas de saúde. Podemos listar desde problemas psicológicos e sociais, passando por alterações metabólicas como diabetes e colesterol alto, chegando ao aumento na incidência de diversos tipos de câncer. Uma complicação muitas vezes negligenciada no paciente acima do peso é a apneia obstrutiva do sono.

A apneia acontece devido à dificuldade do ar passar pelas vias aéreas superiores durante o sono. O obstáculo ao fluxo do ar pode ser anatômico ou funcional. No caso do paciente acima do peso, a gordura se acumula em regiões ao redor das vias aéreas causando estreitamento. Durante o sono, quando a musculatura da faringe relaxa, a obstrução ao fluxo do ar acontece. Costuma ser mais frequente em homens, pessoas com idade mais avançada ou com alguma anormalidade craniofacial.

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Sempre que falamos em apneia, a primeira imagem que vem à mente é de alguém que ronca e “se engasga” durante o sono. Isto, de fato, é verdade. No entanto, o quadro clínico pode e costuma ser bem mais vasto. Na realidade, o sintoma principal é a sonolência durante o dia, que muitas vezes ajuda a perpetuar hábitos como o sedentarismo, levando a um círculo vicioso de piora progressiva da obesidade e da apneia. Outros sintomas e condições associados são: sensação de sono pouco reparador, fadiga crônica, insônia, despertares frequentes e interrupções da respiração durante o sono, pressão alta, alterações do humor e irritabilidade, dificuldades de concentração, doenças cardíacas e vasculares, arritmias e diabetes mellitus tipo 2.

O diagnóstico da apneia obstrutiva do sono é realizado através da polissonografia. Neste exame o paciente dorme em um laboratório que simula um quarto e tem seus parâmetros do sono monitorados. Quando o paciente tem 5 ou mais episódios obstrutivos por hora, associados aos sintomas acima, excluídas outras causas, fecha-se o diagnóstico.

O tratamento varia com a gravidade do quadro e costuma ser multidisciplinar. Por exemplo, o paciente deve ser encorajado a perder peso, evitar bebidas alcoólicas, praticar atividades físicas, dormir na posição correta (de lado). Alguns pacientes podem necessitar do uso do CPAP, aparelho que mantém pressão positiva contínua através de uma máscara durante o sono (figura). O tratamento ajuda a melhorar a disposição e a qualidade de vida, a reduzir a pressão arterial e, potencialmente, a evitar problemas cardíacos como arritmias e insuficiência cardíaca.

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

Mestre em Endocrinologia

CREMERS 30.576

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