Tratamento da orbitopatia de Graves

A orbitopatia de Graves, previamente chamada de oftalmopatia de Graves, é uma doença inflamatória dos tecidos que estão ao redor dos globos oculares, que pode acometer pacientes com hipertireoidismo causado por bócio difuso tóxico, ou doença de Graves. O manejo apropriado desta condição é importante tanto para se preservar a visão quanto para fins estéticos.

Para se decidir qual a melhor abordagem terapêutica, primeiramente o médico endocrinologista deve avaliar a orbitopatia de Graves quanto a sua gravidade e atividade. Através do exame físico, observa-se: se existe dor atrás dos olhos ou durante a sua movimentação; se há inchaço ou vermelhidão das pálpebras; se há inchaço ou vermelhidão das conjuntivas (membrana transparente que cobre a parte branca do olho); se há edema de carúncula (canto interno do olho); se o paciente consegue fechar o olho completamente; se o olho está muito saltado para fora; se há visão dupla ou qualquer perda na acuidade visual; se há algum risco de perda rápida da visão.

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De posse destas informações, o endocrinologista é capaz de definir o tratamento, que poderá ser:

1- Cessação do tabagismo: o cigarro piora a doença. Logo, todo paciente que fuma deve receber orientação para abandonar o vício.

2- Restabelecimento da função tireoidiana: tanto o hipertireoidismo quanto o hipotireoidismo podem piorar o quadro inflamatório ao redor dos olhos. O paciente deve receber tratamento apropriado para normalizar a função da tireoide. Tratamento com remédios antitireoidianos ou cirurgia são preferidos ao iodo por não piorarem a orbitopatia.

3- Medidas locais: uso de óculos escuros, colírios lubrificantes, elevação da cabeceira da cama e oclusão do olhos durante o sono ajudam a diminuir os sintomas. Estas medidas podem ser usadas sozinhas em casos leves.

4- Corticoides: em casos onde a inflamação é mais exuberante e o quadro é mais grave, faz-se necessário o uso de medicação anti-inflamatória. A melhor opção é o uso de corticoide injetável por via endovenosa em pulsos semanais por 12 semanas. Este esquema terapêutico se mostrou mais eficiente e com menos efeitos adversos que o uso de corticoides via oral.

5- Radioterapia: nos casos mais graves, principalmente quando há dificuldade na movimentação dos olhos com visão dupla, a radioterapia pode ser associada ao uso dos corticoides para potencializar o resultado.

6- Cirurgia descompressiva: sempre que há risco de perda de visão, por lesão na córnea ou por compressão do nervo óptico, a cirurgia realizada pelo médico oftalmologista se faz necessária. Nos outros casos, o tratamento clínico deve ser realizado primeiro e a cirurgia deve ser feita em um segundo momento, quando a atividade inflamatória for menor, para que os resultados estéticos sejam melhores.

7- Outros tratamentos: alguns estudos sugerem que medicamentos como octreotide ou rituximabe possam ter efeito benéfico no tratamento da orbitopatia de Graves. Contudo, como tratam-se de dados preliminares, estas abordagens não devem ser feitas de rotina.

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

Mestre em Endocrinologia

CREMERS 30.576

www.facebook.com/drmateusendocrino

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