Quem precisa fazer rastreamento para hipotireoidismo?

Chamamos de rastreamento, a busca ativa por novos casos de uma doença. Para que um problema de saúde mereça ser rastreado, deve preencher alguns requisitos: ser um problema de saúde pública; ter um período inicial assintomático; ter um exame diagnóstico fácil e barato; ter tratamento apropriado; existir evidência de que o tratamento precoce diminua complicações. Veremos se o hipotireoidismo merece ser rastreado…

tireoide 1

Apesar do hipotireoidismo, principalmente quando subclínico, ser muito comum e poder causar pouco ou nenhum sintoma, as recomendações quanto a rastreamento vêm de consensos e não de estudos clínicos. Isto quer dizer que estas recomendações se baseiam mais na opinião pessoal de especialistas do que em estudos bem desenhados. Um dos poucos estudos disponíveis sobre rastreamento de hipotireoidismo trata-se de um modelo matemático de uma população hipotética, isto é, não foi uma pesquisa feita com pessoas de carne e osso, mas dentro de programas de computador. Este estudo americano sugere que a dosagem do TSH em todo paciente com mais de 35 anos seja custo efetiva quando comparada a outras estratégias de prevenção como hipertensão arterial e diabetes mellitus. No entanto, é importante frisar que ainda não há evidência de que o tratamento com hormônio da tireoide (levotiroxina) possa trazer benefícios nas disfunções leves, ou subclínicas, que são a maioria dos casos descobertos neste tipo de rastreamento. Logo, a avaliação para hipotireoidismo deve ser orientada por suspeita clínica.

Segue uma lista com as principais indicações para procurar o endocrinologista para realização de exames da função tireoidiana, mesmo na ausência de sintomas.

1- qualquer sintoma de hipotireoidismo (fadiga, intestino preso, ganho de peso…)

2- elevação nos níveis de colesterol

3- sódio baixo, ou prolactina e CPK elevadas no sangue

4- anemia

5- acúmulo de líquido nas pleuras ou no pericárdio

6- história prévia de lesão na tireoide (cirurgia, uso de iodo radioativo ou radioterapia)

7- doenças da hipófise

8- histórias de doenças autoimunes como diabetes tipo 1, vitiligo ou doença celíaca, por exemplo.

9- algumas doenças genéticas como síndrome de Down e síndrome de Turner

10- uso de medicações que possam interferir na função da tireoide, como lítio ou amiodarona.

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

Mestre em Endocrinologia

CREMERS 30.576

www.facebook.com/drmateusendocrino

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