Tratamento da hiperprolactinemia (excesso de prolactina)

Existem dois motivos principais para um paciente necessitar de tratamento para níveis elevados de prolactina: um adenoma (tumor) de hipófise com tamanho considerável e/ou presença de sintomas.

A hipófise é uma glândula do tamanho de uma ervilha que se localiza embaixo do cérebro, mais precisamente numa região chamada de sela túrcica. Próximo a essa região, encontram-se estruturas importantes como os nervos ópticos, que transmitem as informações visuais dos nossos olhos para o cérebro. O crescimento de um tumor pode comprimir essas estruturas causando dor de cabeça e perda da visão. Todo tumor produtor de prolactina, ou prolactinoma, com potencial de crescimento merece ser tratado.

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Os níveis elevados de prolactina também podem causar sintomas. Estes podem ser decorrentes da falta dos hormônios sexuais (perda de libido, alterações menstruais, dificuldade de ereção, infertilidade) ou do próprio excesso de prolactina (galatorreia, que é a secreção de leite pelas mamas). Além disso, perda de massa óssea com consequente osteoporose pode acontecer se a hiperprolactinemia permanecer por longo prazo. Pacientes sintomáticos também devem receber tratamento.

A primeira linha de tratamento para baixar os níveis de prolactina é feita com medicamentos via oral conhecidos como agonistas dopaminérgicos. Os dois principais representante dessa classe são a cabergolina e a bromocriptina. A cabergolina geralmente é preferida por ser mais potente e melhor tolerada. Felizmente, estes medicamentos são capazes de reduzir tanto os níveis de prolactina quanto o tamanho do adenoma em mais de 90% dos casos. Nas primeiras 3-6 semanas do início do tratamento já se verifica uma queda expressiva nos níveis de prolactina e melhora dos sintomas. Já a diminuição do tamanho do adenoma costuma demorar cerca de 6 meses. Os principais efeitos colaterais do tratamento são náusea, pressão baixa e confusão mental.

Os poucos pacientes que não respondem ou respondem mal ao tratamento medicamentoso podem ser tratados através de cirurgia ou radioterapia, dependendo do caso.

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

Mestre em Endocrinologia

CREMERS 30.576

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