Exercícios físicos e diabetes mellitus tipo 2: o que você precisa saber

O diabetes mellitus tipo 2 é a forma mais prevalente de diabetes. Uma vez que está associado ao estilo de vida moderno, caracterizado por alimentação inapropriada e sedentarismo, o diabetes tipo 2 é cada vez mais frequente na nossa rotina. Além do tratamento farmacológico, realizado com medicamentos e/ou insulina, mudar os hábitos alimentares e fazer atividades físicas são importantíssimos para o bom controle da doença.

O exercício físico regular, seja ele aeróbico, de resistência ou de alta intensidade, é capaz de dar uma “ajudinha” para que a insulina faça melhor seu trabalho, consequentemente baixando os níveis de glicose no sangue. Vejamos como isso acontece…

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A insulina é um dos hormônios produzidos pelo pâncreas que, entre outras funções, é responsável por fazer com que a glicose, o combustível das nossas células, seja devidamente captado. No diabetes tipo 2, a insulina não funciona direito, pois há uma resistência a sua ação. O resultado disso é aumento dos níveis de glicose no sangue. O exercício físico regular é capaz de aumentar a expressão de um receptor chamado GLUT4 nas células dos nossos músculos, responsável por “puxar” a glicose do sangue para dentro das células. Com mais GLUT4, a insulina, que antes funcionava mal, passa a funcionar melhor, e a glicose baixa no sangue.

Além do benefício sobre a glicose, os exercícios físicos são capazes de reduzir o peso e a gordura abdominal, melhorar os níveis de colesterol, além de ajudar a baixar a pressão arterial. Todos estes são conhecidos como fatores de risco para doenças cardíacas e vasculares, como infarto e isquemias. Logo, conforme diferentes estudos sugerem, a atividade física regular é capaz de reduzir a chance de problemas coração e nos vasos das pessoas diabéticas.

Se você é diabético, está parado e deseja começar a praticar atividades físicas, deve seguir algumas recomendações:

1– faça uma visita ao seu endocrinologista. Nesta consulta você será avaliado clinicamente e através de exames básicos de laboratório e eletrocardiograma. Caso haja necessidade, isto é, se seu risco cardiovascular for considerado alto, uma avaliação com o cardiologista poderá ser solicitada. O oftalmologista também precisará ser visitado, pois exercícios físicos de resistência, devem ser evitados por pacientes com retinopatia diabética moderada ou grave.

2– procure um educador físico com experiência em diabetes. O ideal é que o exercício no paciente diabético seja misto, isto é, tanto de resistência (levantamento de pesos) quanto aeróbico (caminhada, por exemplo). Cento e cinquenta minutos divididos durante os dias da semana, com pelo menos 2 dias de exercício de resistência, estão de bom tamanho. Outros detalhes importantes: comece devagar e vá aumentando a intensidade a medida que seu organismo for permitindo, procure fazer a atividade sempre no mesmo horário do dia para evitar oscilações da glicemia e não “mate” as aulas. A regularidade é muito importante!

3– sempre use roupas e principalmente tênis confortáveis. Todo paciente diabético deve cuidar muito bem dos seus pés.

4– alimente-se apropriadamente antes e após o exercício conforme a orientação do seu endocrinologista e nutricionista. Beba bastante água.

5– se você usa insulina ou outro medicamento capaz de causar hipoglicemia, como glimepirida, por exemplo, sempre teste sua glicemia na ponta do dedo antes de começar a atividade programada. Valores entre 100 e 250 mg/dL permitem atividade física moderada sem maiores riscos por até 60 minutos. Para os demais casos, pergunte ao seu médico.

6– diga aos outros que você é diabético, e avise a quem contatar no caso de emergência.

Seguindo estas recomendações, você estará apto a começar a ter uma vida mais saudável e feliz.

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico endocrinologista

Mestre em Endocrinologia (UFRGS)

CREMERS 30.576

www.facebook.com/drmateusendocrino

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