Sódio na água mineral – fatos e mitos

Nestes meses de verão a ingestão de quantidade suficiente de água é de fundamental importância para manutenção da saúde. Recentemente, vem sendo discutida a quantidade de sódio contida nas diferentes marcas de água mineral. Para uma água ser considerada “mineral” ela deve ter em sua composição diversos minerais, inclusive o sódio. O que tem chamado a atenção das pessoas é a grande variação na quantidade de sódio nas diferentes marcas de água mineral.

70d0436f66ff068f835f289f7b26c04e

A recomendação nutricional de consumo diário de sódio é de 2,4 gramas. Este mineral é encontrado principalmente no sal de cozinha. Em geral, a quantidade de sódio apresentada nos rótulos de água mineral está para um litro de cada água. Apesar desse valor representar uma pequena porcentagem do consumo recomendado diário, as pessoas que são portadoras de algumas doenças como por exemplo pressão alta, insuficiência renal, insuficiência cardíaca ou cirrose devem ter uma dieta com restrição de sódio (1,5 a 2,0 gramas de sódio por dia) e neste grupo o impacto do sódio na água será maior. Em um estudo randomizado (Schoor et al, 1996) foi demonstrado que, em indivíduos com pressão alta seguindo uma alimentação com baixa quantidade de sal, o uso de água rica em sódio anulou o efeito benéfico da dieta. Portanto, pelo menos nesse grupo de pessoas, águas com uma quantidade maior de sódio podem ser deletérias.

Em geral a maioria do sódio que consumimos na dieta vem de outros alimentos que não água mineral. Entre os alimentos comumente ingeridos, os que contem alta quantidade de sódio incluem os alimentos processados como pães, embutidos (salame, presunto, copa), salgadinhos, condimentos, queijos amarelos, carnes, sopas prontas, tabletes de caldo concentrados e molho shoyu. Entre as bebidas, os refrigerantes, os sucos processados e os isotônicos ou bebidas esportivas, em geral apresentam altas quantidades de sódio, principalmente nas suas versões zero ou light, que costumam ser adoçadas com ciclamato de sódio ou sacarina sódica, os adoçantes mais baratos.

Resumindo, a preocupação com a quantidade de sódio na água é legítima, em especial se você for portador de uma doença que necessite de restrição no consumo de sódio, porém de nada adianta controlar o sódio na água e não nos outros alimentos e bebidas que ingerimos.

Rafael Selbach Scheffel

Médico Endocrinologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre

CREMERS 30.011

https://www.facebook.com/carereumatologiaendocrinologia

Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

Mestre em Endocrinologia (UFRGS)

CREMERS 30.576

Deixe uma resposta