Suplementos pré-treino: eficácia e segurança

O verão começa a se aproximar e, consequentemente, o movimento nas academias de ginástica começa a aumentar. Muitas das pessoas que procuram exercícios físicos neste momento estão mais interessadas no resultado estético rápido do que em saúde. Isso faz com que se busquem suplementos comerciais com o objetivo de aumentar energia e resistência, queimar gordura e aumentar massa muscular. Mas qual a real eficácia destes produtos também conhecidos como pré-treinos ou termogênicos? São realmente seguros?

Estudos americanos mostram que cerca de 3 em cada 4 frequentadores regulares de academias consomem algum tipo de suplemento pré-treino. A maioria desses usuários é formada por adolescentes e adultos jovens. E praticamente a totalidade deste contingente faz uso destas fórmulas sem acompanhamento especializado, médico ou nutricional, o que aumenta o risco de abuso e efeitos adversos, já que grande parte dos suplementos não informa nos rótulos a quantidade das substâncias contidas.

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O efeito dos suplementos pré-treino se deve principalmente a substâncias estimulantes do sistema nervoso central contidas nas fórmulas. São comumente encontrados nas listas de ingredientes: os estimulantes cafeína e dimetilamilamina (DMAA); os melhoradores do uso de energia creatinina, taurina e fósforo; os aminoácidos beta-alanina e arginina. A mistura de diferentes estimulantes em quantidades desconhecidas é um problema quando associada ao exercício, pois existe o risco de sobrecarga do sistema cardiovascular, com aumento da pressão arterial e aumento da chance de arritmias e, até mesmo, infarto do miocárdio. Além disso, cada pessoa tem um perfil de sensibilidade diferente, isto é, a mesma dose de cafeína que é apenas estimulante para um usuário, pode causar arritmias, palpitações, inquietação, nervosismo e insônia em outro.

A dimetilamilamina (DMAA) foi recentemente banida do Brasil pela Anvisa devido a relatos de ter causado problemas no coração e fígado dos usuários. Mesmo assim, consegue-se acesso a esta substância em suplementos importados, comprados facilmente através da internet. O mais interessante é que todo o efeito “termogênico” do DMAA, na verdade não passa de euforia. Estudos científicos mostraram que esta substância na realidade diminui a performance de quem a usa quando comparada ao placebo. Contudo, devido a esta sensação de euforia, tem-se a percepção errada de que se teve um desempenho melhor. Ou seja, o DMAA, além da capacidade de fazer mal, tem a capacidade de enganar nosso cérebro!

A creatina é um dos poucos suplementos com evidências de eficácia. Contudo, seu uso deve ser reservado a atletas que fazem atividade física de alta intensidade e necessitam de força em grandes grupos musculares. O uso inadequado e excessivo da creatina está associado a retenção de líquidos e ganho de peso, o que pode não ser interessante para quem procura ganhos estéticos. Além disso, há risco potencial de sobrecarrega aos rins.

Em resumo, a suplementação pré-treino provavelmente não está indicada para a maioria das pessoas que frequentam academias de ginástica. Além disso, os dados sobre eficácia e segurança são escassos, principalmente no que diz respeito a fórmulas que misturam várias substâncias diferentes. Em outras palavras, não existe medicamento ou suplemento que substitua a alimentação correta e o treinamento contínuo e com acompanhamento profissional adequado. Além disso, temos que ter em mente que o padrão estético muitas vezes difundido pela mídia e por quem malha, não é saudável, pois não pode ser alcançado sem o uso de substâncias deletérias ou proibidas.

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

Mestre em Endocrinologia (UFRGS)

CREMERS 30.576

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