Avaliação e tratamento do prolactinoma durante a gravidez

Damos o nome de prolactinoma ao tumor de hipófise produtor de prolactina. Mulheres com hiperprolactinemia, isto é, níveis elevados de prolactina no sangue, deixam de ovular. A falta de ovulação leva a alterações menstruais, que muitas vezes são o que levam essas pacientes ao endocrinologista e ao diagnóstico do prolactinoma.

Atualmente, com os tratamentos disponíveis, muitas mulheres com hiperprolactinemia causada por prolactinoma podem voltar a ovular e, consequentemente, gestar. Contudo, para que a gravidez seja tranquila, alguns cuidados devem ser tomados.

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Em primeiro lugar, qualquer mulher em tratamento para hiperprolactinemia que deseje engravidar, deve avisar seu endocrinologista disto. O motivo é simples: tratar bem da doença antes para evitar problemas durante a gestação.

Mulheres com microadenomas, isto é, tumores produtores de prolactina menores que 1 cm, provavelmente não terão grandes problemas durante a gravidez, podendo ter a medicação suspensa logo após a concepção, sendo avaliadas clinicamente de 3 em 3 meses.

Já as mulheres com adenomas de 1 cm ou mais, antes de engravidar, devem ser avaliadas quanto ao acometimento do campo visual e, se necessário, submetidas a tratamento cirúrgico ou radioterápico para diminuição do tamanho do prolactinoma. Estas medidas são importantes, pois durante a gestação o tumor pode crescer, causando sintomas compressivos como dor de cabeça e compressão dos nervos ópticos, com prejuízo a visão. Estas pacientes com tumores maiores devem ser acompanhadas também pelo neuroftalmologista. Isso é importante para se avaliar crescimento tumoral com comprometimento da visão. Caso isto aconteça, a paciente deverá ser tratada com remédios que reduzam os níveis de prolactina, mesmo estando grávida.

Até onde se sabe, quando usados em doses habituais, tanto a bromocriptina quanto a cabergolina, os dois medicamentos usados para tratar a hiperprolactinemia, são seguros pera o feto. Contudo, como dito anteriormente, devem ser preferencialmente suspensos logo que se saiba da gestação, devendo ser usados somente quando houver crescimento tumoral sintomático.

Após o parto, as mulheres que desejarem amamentar continuarão sem a medicação e poderão fazê-lo caso não haja sintomas. Após este período, o tratamento retorna ao habitual de antes da gravidez.

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

CREMERS 30.576

mateusdsevero@gmail.com

www.facebook.com/drmateusendocrino

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