Cirurgia da tireoide: possíveis complicações da tireoidectomia

Chamamos de tireoidectomia a cirurgia em que é feita a retirada da tireoide, parcial ou totalmente. Este tipo de procedimento é indicado, mas não é realizado pelo endocrinologista e sim pelo cirurgião de cabeça e pescoço.

Nos últimos 100 anos, a cirurgia da tireoide tornou-se um procedimento seguro e com uma taxa de complicações baixa, quando realizada por mãos hábeis. Está indicada em uma série de patologias da tireoide, principalmente nos casos de câncer. Porém, mesmo quando realizada por cirurgiões experientes, a tireoidectomia pode estar associadas a complicações.

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Hematomas e seromas podem acontecer em cerca de 1% das cirurgias. São decorrentes do acúmulo local de sangue ou soro no local da cirurgia. O cirurgião sempre procura ativamente por estas complicações no pós-operatório e indica o tratamento apropriado quando necessário.

Atrás da glândula tireoide, estão localizadas as 4 glândulas paratireoides, que são responsáveis pelo controle do metabolismo do cálcio. Cerca de 15% dos pacientes podem apresentar formigamentos e câimbras devido a queda nos níveis de cálcio por lesão das paratireoides. Felizmente, na maioria dos casos, esses sintomas são transitórios e facilmente tratáveis. Contudo, cerca de 2% dos pacientes desenvolve hipoparatireoidismo definitivo.

O pescoço é uma região intensamente inervada. Logo, lesões em nervos também podem ocorrer. Na cirurgia da tireoide, o mais comum é a lesão dos nervos laríngeos recorrentes, que são responsáveis pela inervação das cordas vocais. Voz rouca, o sintoma mais comum, pode acontecer em 2% dos casos.

Lesões da traqueia e do esôfago são pouco frequentes, felizmente, pois estão entre as complicações mais graves. Quando este tipo de complicação acontece, o paciente pode apresentar acúmulo de ar sob a pele, além de infecções.

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

CREMERS 30.576

mateusdsevero@gmail.com

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