O papel do endocrinologista no tratamento do diabetes mellitus tipo 2

O diabetes mellitus tipo 2 é uma das doenças crônicas mais prevalentes. No Brasil, são mais de 12 milhões de pessoas diabéticas, isto é, a cada 100 brasileiros, pelo menos seis são diabéticos.

Ao contrário do que se pensa, o diabetes não se restringe apenas aos níveis de açúcar no sangue. Trata-se de uma doença complexa, que quando não tratada corretamente, aumenta o risco de doenças do coração e rins, cegueira, amputações, problemas sexuais e nos nervos, além de alguns tipos de câncer. O médico endocrinologista é o profissional especializado no tratamento do diabetes e, para prevenir todas estas possíveis complicações, deve entrar em contato com o paciente já no diagnóstico, quando a doença ainda é considerada “leve” ou de “fácil controle”.

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Diversos estudos mostram que o tratamento intensivo do diabetes desde o seu diagnóstico é importante para a formação de uma espécie de “memória metabólica”. Isto é, o paciente que atinge as metas de controle do açúcar, pressão e colesterol já no diagnóstico, leva estes benefícios consigo para o resto da vida.

Para conseguir um bom controle metabólico, além das orientações de mudança no estilo de vida, o endocrinologista pode lançar mão de uma série de medicações antidiabéticas. Cada paciente, dependendo de fatores como idade, tempo e gravidade do diabetes, doenças concomitantes, condições financeiras e preferências, recebe tratamento individualizado. Isto é, o tratamento do diabetes não é igual para todo mundo. O que é bom para alguns, pode não ser tão eficaz para outros.

O tratamento do diabetes está em constante evolução. Dia após dia, mais estudos surgem com novos dados sobre medicamentos antigos, além de pesquisas com novos fármacos. O médico endocrinologista deve estar estudando continuamente para melhor tratar seus pacientes. Hoje no mercado nacional, existem dezenas de substâncias, via oral ou injetáveis, de diferentes classes, modos de ação e preços, cada uma com seu espaço no tratamento, dependendo do perfil de cada paciente.

Além do controle individualizado da glicemia, o paciente diabético tem metas específicas de pressão arterial e colesterol. Para alcançar estas metas, assim como no caso dos medicamentos antidiabéticos, os anti-hipertensivos e os hipolipemiantes também são prescritos de acordo com as necessidades de cada pessoa. Outros cuidados importantes são com a saúde dos rins, olhos e nervos, além da vacinação e educação continuada.

O paciente diabético que é devidamente acompanhado tem risco mínimo de complicações e, muitas vezes, goza de condição de saúde melhor que a média da população.

Se você é diabético e puder ter acesso ao médico endocrinologista, faça isto o quanto antes. No diabetes mellitus tipo 2 sempre é melhor prevenir do que remediar. As complicações, uma vez instaladas, são de difícil tratamento.

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

CREMERS 30.576

mateusdsevero@gmail.com

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