Vale a pena dosar insulina para diagnosticar resistência insulínica ou hiperinsulinismo?

Resistência à insulina não é propriamente uma doença, mas o processo fisiopatológico em que existe uma resposta diminuída do organismo a ação da insulina. Várias condições compartilham este mecanismo, entre elas destaca-se o diabetes mellitus tipo 2.

Os hábitos alimentares inapropriados, com alto teor calórico, associados ao sedentarismo, acabam por levar a aumento de peso e acúmulo de gordura abdominal. Este tipo de gordura produz uma série de substâncias com atividade inflamatória e hormonal que acabam por diminuir a sensibilidade das células do organismo à insulina. O pâncreas tenta compensar essa deficiência relativa secretando mais insulina, isto é, causando hiperinsulinismo. Com o passar do tempo o mecanismo de adaptação começa a se exaurir, a glicose começa a subir e o diabetes pode aparecer.

pancreas mateus severo endocrinologia

Muitas pessoas que tem fatores de risco para o diabetes têm a seguinte dúvida: “Vale a pena medir a resistência insulínica através de exames como estratégia de prevenção do diabetes?”. Provavelmente não.

Em Medicina consideramos um exame útil quando ele é capaz de diagnosticar uma condição com precisão e o seu resultado é capaz de modificar a conduta do médico. As medidas de resistência à insulina, apesar de apresentarem valores diagnósticos estabelecidos, deixam a desejar nesses dois pré-requisitos, pois são pouco acuradas e não mudam a maneira como o médico vai tratar seu paciente. Logo, nenhuma entidade médica recomenda este tipo de exame, salvo em situações muito especiais ou dentro de pesquisa.

Então como saber se existe risco de diabetes? Lança-se mão do velho e bom exame clínico, com uma história bem feita e exame físico com medida da pressão arterial, circunferência abdominal, peso e altura, aliado a exames laboratoriais consagrados como a medida da glicemia, colesterol e triglicerídeos. Estas informações são mais que suficientes para traçar uma estratégia de prevenção do diabetes e de todas suas consequências, ao contrário das medidas de insulina, que na maioria das vezes só acrescentam custos à assistência.

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

CREMERS 30.576

mateusdsevero@gmail.com

Deixe uma resposta