Tumores de hipófise descobertos ao acaso: incidentalomas de hipófise

A hipófise é uma glândula localizada embaixo do cérebro e logo atrás dos olhos responsável por controlar a secreção hormonal de outras glândulas do organismo, com a tireoide, as adrenais, os ovários e os testículos.

Com o aumento da disponibilidade de exames de imagem como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética, algumas vezes se encontram alterações na hipófise em exames pedidos por outros motivos. Por exemplo, faz-se uma tomografia do crânio para avaliar sintomas de perda de memória e se encontra, ao acaso, tumoração na hipófise. A este achado ocasional damos o nome de incidentaloma de hipófise.

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Os incidentalomas hipofisários são muito comuns e podem ser encontrados em até 3 de cada dez exames de imagem da cabeça. Estas lesões podem ser classificadas em dois grupos conforme os seus tamanhos.

As lesões com até 10 milímetros tem menor probabilidade de produzir hormônios, aumentar de tamanho ou produzir sintomas. Pacientes com este tipo de lesão devem ser avaliados clinicamente e terem dosado no sangue apenas a prolactina ou o hormônio que se desconfia estar aumentado. No caso de haver qualquer tipo de produção hormonal, trata-se o paciente. Caso contrário, apenas reavaliações periódicas anuais são necessárias.

Quando a lesão tem mais de 10 milímetros, mesmo que o paciente não apresente sintomas, deve-se avaliar se a hipófise está produzindo tanto hormônios para mais quanto para menos. Além disso, como esta glândula está em íntimo contato com os nervos dos olhos, o paciente deve fazer uma avaliação pormenorizada dos campos visuais. Quando o tumor produz hormônios ou ameaça a visão, deve ser tratado. Quando assintomático, é reavaliado periodicamente a cada seis ou 12 meses.

Sempre que necessário, o tratamento dos tumores hipofisários vai depender do tipo de hormônio que a glândula está produzindo em excesso e se há sintomas compressivos. Os tratamentos podem ser cirurgia, medicamentos em comprimidos ou injetáveis ou radioterapia, dependendo do caso.

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

CREMERS 30.576

mateusdsevero@gmail.com

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