Disfunção tireoidiana mínima: o hipertireoidismo subclínico

Por diversas vezes são realizados exames de laboratório pelos mais diversos sintomas ou como parte de avaliação médica de rotina. Alguns exames podem apresentar alterações discretas, entre eles os hormônios da tireoide.

O hipertireoidismo subclínico é a disfunção mínima da tireoide caracterizada por níveis baixos de TSH e normais de T4 e T3 livres. É uma condição de diagnóstico laboratorial, já que apresenta sintomas vagos e inespecíficos, apesar de algumas pessoas referirem palpitações, ansiedade e calor excessivo, principalmente se o TSH estiver abaixo de 0,1 mU/L.

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A estimativa atual é de que aproximadamente duas em cada 100 pessoas sejam acometidas pelo hipertireoidismo subclínico. Idosos e mulheres, com maior frequência.

Entre as principais causas de hipertireoidismo subclínico estão:

– uso excessivo de hormônio tireoideano;

– bócio difuso tóxico (Doença de Graves);

– nódulos de tireoide;

– tireoidites.

Apesar de muita controvérsia, estudos sugerem que o hipertireoidismo subclínico esteja associado a arritmias cardíacas (principalmente à fibrilação atrial), aumento do risco de morte por problemas cardíacos em homens idosos e diminuição da massa óssea em mulheres após a menopausa. Contudo, o quanto o tratamento é capaz de ajudar nessas questões ainda é motivo de pesquisa.

O tratamento deve ser individualizado. Leva-se em consideração a causa do hipertireoidismo subclínico, a idade e o sexo do paciente, assim como os níveis de TSH. Por exemplo, para pacientes com mais de 65 anos e TSH menor que 0,1 mU/L recomenda-se tratamento devido ao risco de arritmias. Já pacientes jovens, com TSH entre 0,1 e 0,4 mU/L e assintomáticos, podem ser apenas acompanhados sem tratamento já que possuem chance de 50% de reverter espontaneamente o hipertireoidismo subclínico dentro de 5 anos.

Caso você tenha feito algum exame de tireoide e este tenha mostrado resultados alterados, procure um endocrinologista e faça uma avaliação pormenorizada. Esta avaliação é importante para que se possa escolher a melhor abordagem terapêutica.

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

CREMERS 30.576

mateusdsevero@gmail.com

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