Disfunção mínima da tireoide: hipotireoidismo subclínico

Com a disponibilidade maior de exames laboratoriais, cada vez mais se faz diagnóstico de disfunções discretas no funcionamento de diferentes órgãos. No caso da tireoide não é diferente.

O hipotireoidismo subclínico é uma disfunção mínima da tireoide caracterizada por níveis elevados de TSH com T4 livre normal. É uma condição de diagnóstico laboratorial já que a maioria dos pacientes ou são assintomáticos ou apresentam sintomas vagos e inespecíficos, principalmente se o TSH é menor que 10 mU/L.

hipotireoidismo

Estima-se que entre 4 e 15 de cada 100 pessoas possua diagnóstico de hipotireoidismo subclínico, ou seja, é uma condição muito comum, principalmente em mulheres, idosos e pessoas com cor de pele branca.

Entre as causas do hipotireoidismo subclínico destacam-se a tireoidite crônica ou tireoidite de Hashimoto (principal causa), uso prévio de iodo radioativo, cirurgia prévia da tireoide, radioterapia na região do pescoço e uso de medicamentos que interferem no funcionamento da tireoide.

Em diferentes estudos, o hipotireoidismo subclínico parece estar associado a um risco maior de progressão para hipotireoidismo. Um em cada 3 pacientes acaba por desenvolver hipotireoidismo dentro de 10 anos, principalmente se o TSH é alto e o anticorpos contra a tireoide (anti-TPO) são positivos. Contudo, mais de 6 em cada 10 pacientes com hipotireoidismo subclínico acaba normalizando a função da tireoide dentro de 5 anos mesmo sem tratamento.

Existe muito debate se o hipotireoidismo subclínico está associado a aumento no risco de doenças cardíacas e vasculares ou a aumento no risco de morte. Os dados sugerem que pessoas com TSH em faixas mais altas possam realmente ter um pequeno aumento de risco (1% ao ano).

Apesar da suspeita, ainda não se sabe se o tratamento do hipotireoidismo subclínico diminui ou aumenta o risco de doenças cardíacas. Logo, o uso do hormônio tireoidiano deve ser individualizado, já que pouco ajuda na melhora da qualidade de vida dos pacientes nos estudos controlados.

Caso você tenha exames de tireoide alterados, procure um endocrinologista para discutir os prós e contras do tratamento e decidir qual é a melhor opção.

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

CREMERS 30.576

mateusdsevero@gmail.com

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