Obesidade e Ronco: uma dupla praticamente inseparável onde a apneia do sono dificulta bastante o tratamento para emagrecer

Nas últimas décadas, a Medicina começou a estudar o sono e como as pessoas dormem, através da polissonografia. Muitos transtornos do sono foram descobertos e estudados a fundo com base nesse exame, permitindo o tratamento de forma personalizada, baseada em evidências científicas e com resultados muitas vezes fantásticos na qualidade de vida de muitas pessoas.

O ronco associado à apneia obstrutiva do sono é de longe o distúrbio mais freqüente, em especial dentro da população foco deste artigo: pessoas portadoras de obesidade.

Sabe-se que há uma relação direta entre obesidade e a ocorrência de ronco associado à apneia, ou seja, os pacientes obesos em sua grande maioria experimentam transtorno respiratório durante o sono. E hoje sabemos que o ronco traz prejuízos à saúde como um todo. O paciente que ronca está dormindo e muitas vezes não tem consciência do barulho e de que possa estar também sofrendo algum tipo de prejuízo.

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O ronco se inicia devido ao relaxamento muscular que ocorre em cada estágio de profundidade do sono. A maior parte dos eventos sonoros (ronco) é decorrente da vibração das estruturas da garganta (úvula, palato mole, amígdalas, músculos da faringe e base da língua) no momento em que o ar está sendo inspirado pelos pulmões. A passagem do ar durante a inspiração pode fazer essas estruturas além de vibrarem se colapsarem, obstruindo a passagem do ar para os pulmões. Quanto menor o espaço para a passagem do ar na garganta, mais fácil e frequente se torna esse colapso. No obeso, de forma geral, há depósito de gordura nas paredes da faringe, no próprio palato e demais regiões da garganta diminuindo o espaço para o ar passar e facilitando o fechamento da via aérea. Além disso, o tônus muscular basal (status muscular entre contraído e relaxado) também está frequentemente diminuído nas pessoas com obesidade, em especial nos sedentários. A musculatura mais flácida torna mais fácil que durante a inspiração a passagem do ar se feche, culminando na parada respiratória momentânea, a apneia. Em geral essas paradas acontecem nos estágios mais profundos, onde o relaxamento muscular se acentua cada vez mais. Raramente o ronco aparece nos estágios superficiais, mas pode acontecer.

A apneia é definida como uma parada respiratória de pelo menos 10 segundos com queda na quantidade oxigênio do sangue, até que, por mecanismo de defesa, o cérebro traz de volta o indivíduo a estágios superficiais e até o acorda – porém por curtíssimos períodos de tempo – várias vezes durante a noite, fazendo o sono se tornar fragmentado, sem que se tenha consciência do ocorrido. Quanto mais eventos de parada respiratória, maiores os danos e sintomas que a pessoa estará experimentando.

Isso é muito mais comum do que se imagina. Estima-se que 5% da população adulta tenham esse problema.

A apneia pode levar a uma série de distúrbios como: aumento da pressão arterial, diminuição da eficiência da insulina para colocar a glicose do sangue para dentro da célula (resistência à insulina), diminuição de substâncias que protegem os vasos sanguíneos do acúmulo de colesterol em suas paredes e que ajudam os vasos a se manterem abertos para passagem do sangue com oxigênio. Isso traz um aumento significativo do risco para doenças graves como infarto, isquemia cerebral ou derrame (AVC).

A pessoa portadora de apneia pode desenvolver: hipertensão, diabetes, indisposição, ansiedade, sede, boca seca, depressão, agitação com falta de concentração, memória prejudicada, baixo rendimento no trabalho/escola, sonolência excessiva, dormir a qualquer momento oportuno. Acorda cansado, indisposto, faminto, tem dificuldade para levantar, pode ter dor de cabeça de manhã, prejuízo no rendimento no trabalho, escola, sonolência diurna o trás uma maior incidência de acidentes automobilísticos. Ocorre também aumento de substâncias que contribuem ao envelhecimento de uma maneira geral (radicais livres), aumento do esforço cardíaco, entre outros. Em suma o paciente com apneia mergulha em um sono onde acaba se desgastando mais do que durante o dia, um sono não reparador. A noite mal dormida, dificulta a tarefa de perder peso e diminui muito a qualidade e quantidade de vida dessas pessoas.

O tratamento da apneia é multidisciplinar: endocrinologista, pneumologista, cardiologista, neurologista, cirurgião vascular, gastroenterologista, psicoterapeuta, fisioterapeuta e otorrinolaringologista. O mecanismo de base para o acontecimento da apneia se encontra exatamente onde o otorrinolaringologista conhece mais do que qualquer outro especialista: nariz e garganta.

É indispensável que a doença seja estudada, qualificada e quantificada de maneira minuciosa para se determinar com segurança o tratamento através da polissonografia. Neste exame sofisticado, o paciente deve dorme no laboratório, para que várias dados sejam colhidos, proporcionando ao médico importantes informações para traçar a melhor maneira de tratar esse doente. É o único exame que demonstra com exatidão a gravidade do problema.

A forma de tratar é estritamente personalizada. Tem-se cirurgias (nasais, de garganta e maxilo-mandibulares), aparelhos ortodônticos, aparelhos de respiração com pressão positiva (CPAP), combinações entre estes, além da mudança de estilo de vida, emagrecimento, cirurgia bariátrica, orientação nutricional, entre muitas alternativas que se complementam no tratamento.

Santa Maria hoje dispõe de um serviço especializado com qualidade de ponta: O Instituto de Sono de Santa Maria. Serviço fruto de uma sociedade entre especialistas, com raízes vinculadas aos melhores serviços do centro do país e preparado para realizar avaliações e tratar este e outros distúrbios do sono.

Reinaldo Cóser Neto

Médico Otorrinolaringologista
Clínica Cóser – Santa Maria-RS
CREMERS 30.574
www.clinicacoser.com
www.institutodosonosm.com.br

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