Tratamento do diabetes mellitus tipo 2: terapias baseadas no GLP-1

O que é GLP-1?

O GLP-1 é um hormônio produzido no intestino em resposta aos nutrientes da nossa alimentação. O GLP-1 exerce uma série de funções no nosso organismo, entre elas: auxiliar o pâncreas a regular os níveis de glicose (açúcar no sangue), fazer com que o estômago se esvazie mais lentamente e diminuir o apetite. Os pacientes com diabetes mellitus tipo 2 têm níveis mais baixos de GLP-1, sendo este o motivo do desenvolvimento de remédios baseados nesta substância.

remedios
Quais são e como funcionam os remédios baseados no GLP-1?

São duas classes de remédios:
Agonistas do GLP-1: são medicamentos injetáveis que imitam a função do GLP-1 no nosso organismo. Estão disponíveis no mercado o exenatide (Byetta), o liraglutide (Victoza) e o lixisenatide (Lyxumia).
Inibidores da DPP-4 (gliptinas): são medicamentos usados por via oral (comprimidos) que fazem o GLP-1 produzido por nosso organismo durar mais tempo. No mercado brasileiro estão disponíveis a vildagliptina (Galvus), a sitagliptina (Januvia), a saxagliptina (Onglyza), a linagliptina (Trayenta) e a alogliptina (Nesina).

Quais as vantagens dos tratamentos baseados no GLP-1?

As principais vantagens desses medicamentos são que não aumentam (gliptinas) ou ajudam a perder peso (exenatide e liraglutide) e o baixo risco de hipoglicemias (queda da glicose). Além disso, as gliptinas são mais uma opção de tratamento via oral.

Quais as desvantagens dos tratamentos baseados no GLP-1?

Como são remédios relativamente novos, dados de eficácia (prevenção de complicações do diabetes como cegueira, amputações, insuficiência renal crônica, infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico…) e segurança (se o remédio causa potenciais efeitos adversos graves a médio e longo prazo) ainda não estão completamente disponíveis.
Apesar do curto período de tempo que estão disponíveis no mercado, já existem relatos de possíveis efeitos adversos graves com esses medicamentos, entre eles pancreatite (principalmente com análogos do GLP-1) e descompensação de insuficiência cardíaca congestiva (alguns inibidores da DPP-4).
Outra desvantagem é o custo elevado do tratamento quando comparado a outros tratamentos para o diabetes.

Você que é diabético, antes de começar algum tratamento baseado no GLP-1, discuta com seu endocrinologista os benefícios, possíveis riscos e custos. O diabetes é uma doença crônica, ou seja, não tem cura, e irá te acompanhar para o resto da vida. Logo, o tratamento mais próximo ao ideal deve ter benefício comprovado (não só reduzir a glicose, mas também reduzir complicações), ser seguro (não causar efeitos adversos graves) e de custo acessível (remédios caros dificultam a adesão ao tratamento e não são necessariamente melhores).

Fonte: UpToDate Online

Dr. Mateus Dornelles Severo

Médico Endocrinologista

Mestre em Endocrinologia

CREMERS 30.576

www.facebook.com/drmateusendocrino

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